TRATAMENTOS DE PACIENTES PORTADORES DA SÍNDROME DO QT LONGO CAUSADA POR MUTAÇÕES NO GENE KCNH2
Resumo
A Síndrome do QT Longo tipo 2 (LQTS2) é uma canalopatia hereditária causada principalmente por mutações no gene KCNH2, responsável pela codificação da subunidade α do canal hERG, essencial para a repolarização ventricular cardíaca. Alterações nesse gene comprometem a corrente de potássio IKr, resultando no prolongamento do intervalo QT e aumentando o risco de arritmias ventriculares graves, síncope e morte súbita cardíaca. O diagnóstico pode ser desafiador, uma vez que parte dos pacientes não apresenta alterações evidentes no eletrocardiograma, tornando a investigação genética uma ferramenta importante para confirmação diagnóstica. O presente estudo teve como objetivo revisar as principais abordagens terapêuticas utilizadas no tratamento de pacientes portadores da síndrome do QT longo causada por mutações no gene KCNH2. Para isso, foi realizada uma revisão narrativa da literatura por meio da base de dados PubMed, utilizando os descritores “KCNH2”, “mutation”, “treatment” e “medications”. Foram incluídos artigos completos publicados entre 2021 e maio de 2026, em língua inglesa, abordando tratamentos farmacológicos, validação funcional de variantes genéticas, relatos de caso e novas estratégias terapêuticas relacionadas à LQTS2. Os resultados demonstraram que os betabloqueadores permanecem como a terapia de primeira linha, reduzindo a atividade simpática e, consequentemente, o risco de eventos arrítmicos desencadeados por estresse emocional, esforço físico ou estímulos sonoros súbitos. Em pacientes considerados de alto risco, o cardiodesfibrilador implantável (CDI) mostrou-se a estratégia mais eficaz para prevenção da morte súbita cardíaca, especialmente em indivíduos com histórico de parada cardíaca, síncopes recorrentes ou prolongamento importante do intervalo QT.
Além das terapias convencionais, estudos recentes têm investigado abordagens personalizadas baseadas em mecanismos moleculares específicos das mutações. Modelos experimentais utilizando cardiomiócitos derivados de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC-CMs) e plataformas de coração-em-chip permitiram a avaliação de novos compostos farmacológicos. Entre eles, o MG101 apresentou resultados promissores ao aumentar a densidade da corrente IKr e reduzir alterações eletrofisiológicas associadas à mutação F431L do gene KCNH2. Entretanto, essas estratégias permanecem em fase pré-clínica e ainda não possuem aplicação terapêutica estabelecida. Conclui-se que o tratamento da LQTS2 deve ser individualizado, considerando o perfil clínico, genético e o risco arrítmico de cada paciente. Embora os betabloqueadores e o CDI constituam as principais ferramentas terapêuticas atualmente disponíveis, avanços em modelos experimentais e na medicina personalizada apontam para novas possibilidades de tratamento no futuro.
Palavras-chave: "gene KCNH2”, “mutação” “tratamento”, “medicamentos”
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