POLIMORFISMOS GENÉTICOS DO RECEPTOR GLP-1 E SUA INFLUÊNCIA NA RESPOSTA TERAPÊUTICA AOS AGONISTAS DE GLP-1: PERSPECTIVAS DA FARMACOGENÔMICA NA MEDICINA PERSONALIZADA PARA OBESIDADE E DIABETES MELLITUS TIPO 2
Resumo
A obesidade e o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) representam importantes desafios de saúde pública global devido à sua elevada prevalência, associação com complicações cardiovasculares e impacto econômico sobre os sistemas de saúde. Nesse contexto, os agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1RA), como liraglutida, semaglutida e tirzepatida, emergiram como uma das principais estratégias terapêuticas para o controle glicêmico e redução ponderal. Entretanto, estudos recentes têm demonstrado significativa variabilidade interindividual na resposta a esses medicamentos, sugerindo a participação de fatores genéticos na modulação da eficácia terapêutica. Dentre os principais fatores investigados, destacam-se os polimorfismos do gene do receptor do GLP-1 (GLP1R), especialmente as variantes rs6923761 (Gly168Ser), rs10305420 e rs761387, que vêm sendo associadas a diferenças na perda de peso, no controle glicêmico e na ocorrência de efeitos adversos durante o tratamento.
O presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas relacionadas à influência dos polimorfismos genéticos do receptor GLP-1 na resposta aos agonistas incretínicos, bem como discutir as perspectivas da farmacogenômica como ferramenta para a medicina personalizada aplicada à obesidade e ao DM2. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, de abordagem qualitativa, realizada a partir da análise de artigos científicos publicados entre 2015 e 2026 nas bases PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar. Foram incluídos estudos originais, revisões sistemáticas, metanálises e estudos de associação genômica ampla relacionados à fisiologia do GLP-1, farmacologia dos agonistas incretínicos, polimorfismos do gene GLP1R e farmacogenômica.
Os resultados evidenciaram que variantes genéticas localizadas no GLP1R e em genes associados à sinalização incretínica, como ARRB1, GIPR, TCF7L2 e WFS1, podem influenciar significativamente a resposta terapêutica aos agonistas de GLP-1. Além disso, observou-se que determinados perfis genéticos estão relacionados à maior susceptibilidade a eventos adversos gastrointestinais e à variabilidade na redução da hemoglobina glicada e do peso corporal. Conclui-se que a farmacogenômica apresenta potencial para contribuir com a individualização do tratamento da obesidade e do diabetes mellitus tipo 2, permitindo a identificação prévia de pacientes com maior probabilidade de resposta favorável às terapias incretínicas. Apesar dos avanços recentes, a implementação clínica dessa abordagem ainda depende da validação dos biomarcadores genéticos em diferentes populações e da consolidação de protocolos que viabilizem sua aplicação rotineira na prática clínica.
Palavras-chave: GLP1R, farmacogenômica, obesidade, diabetes mellitus tipo 2, medicina personalizada, agonistas de GLP-1.
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